Distúrbio alimentar resultante da preocupação excessiva com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal míni
ma associado a um medo intenso e constante de ganhar peso. A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e ao medo mórbido de ganhar peso. Normalmente a pessoa anoréctica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. A perda de peso nas pessoas com Anorexia Nervosa é obtida, principalmente, através da redução do consumo alimentar total, embora alguns pacientes possam começar a dieta excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente calóricos. De modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adopta métodos adicionais de perda de peso, os quais incluem auto-indução de vómito, uso indevido de laxantes ou diuréticos e prática de exercícios intensos ou excessivos.
A anorexia habitualmente tem início na adolescência, sendo uma das principais causas de origem as vulgares dietas que os adolescentes fazem. Cerca de 1/3 dos pacientes com anorexia tinha peso a mais antes de iniciar a dieta. Ao contrário das dietas comuns, que terminam quando o peso desejado é alcançado, neste distúrbio alimentar a dieta e a perda de peso continuam até que a pessoa atinge níveis de peso muito inferiores aos esperados na sua idade. Uma pessoa com anorexia não perde o apetite, o que se passa na realidade é que a pessoa o controla drasticamente.
A anorexia possui um índice de mortalidade entre 15 a 20%, o maior entre os transtornos psicológicos, geralmente matando por ataque cardíaco, devido à falta de potássio ou sódio (que ajudam a controlar o ritmo normal do coração). Pode ser causada por distúrbio da auto – estima.
Embora o termo "anorexia" signifique "perca de apetite", o que se passa na realidade é que a pessoa com anorexia mantém o seu apetite normal mas controla drasticamente o mesmo. Com o decorrer do tempo, a anoréctica pode começar a sofrer de sintomas opostos, próprios da bulimia e tentará, para eliminar aquilo que ingeriu, tomar laxantes ou provocar o vómito de modo a controlar o peso. Ao contrário das pessoas que sofrem de bulimia nervosa "pura", nas anorécticas o peso continuará a ser muito baixo.
Sintomas da anorexia:
- Medo de engordar;
- Restrição alimentar;
- Perca excessiva de peso num curto espaço de tempo;
- Prática exagerada de exercício físico;
- Perda de erecção nos rapazes;
- Preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos;
- Depressão profunda; comportamentos obsessivo - compulsivos;
- Visão distorcida do próprio corpo (apesar da sua extrema magreza, estas pessoas vêem-se com excesso de peso);
- Comportamento auto – destrutivo, auto – punição por algum erro imaginário
- Não assumir a fome;
- Isolamento social;
- Perda de cabelo;
- Frequência cardíaca e pressão arterial baixas;
- Instabilidade emocional (alteração de humor);
- Tendências suicidas;
- Bulimia, que pode desenvolver-se posteriormente em pessoas anorécticas;
- Anemia, devido ao baixo nível de ferro;
- Osteoporose, devido ao baixo nível de cálcio para o intestino absorver;
- Dores de cabeça;
- Descalcificação dos dentes; cárie dentária;
- Lábios muito secos;
- Deficiências no sistema endócrino, que levam à parada do ciclo menstrual em mulheres (amenorreia);
- Pobre circulação do sangue, resultando em cor roxa em extremidades;
- Diminuição ou ausência da libido; nos rapazes poderá ocorrer impotência e dificuldade em atingir a maturação sexual completa, tanto a nível físico como emocional;
- Crescimento retardado ou até paragem do mesmo, com a resultante malformação do esqueleto (pernas e braços curtos em relação ao tronco);
- Obstipação grave;
- Danos intestinais, quando o anoréctico faz uso excessivo de laxativos;
- Danos ao rim, quando o anoréctico faz uso excessivo de diuréticos;
- Acumulação de fluidos no calcanhar durante o dia e em torno dos olhos durante a noite;
- Aparecimento de lanugo;
- Peso corporal em 85% ou menos do nível normal;
- Negação quando questionado sobre o transtorno.
Causas e grupos de risco:
A anorexia nervosa afecta muito mais pessoas jovens (entre 15 a 25 anos), e do sexo feminino (95% dos casos ocorrem em mulheres).
Muitos especialistas acreditam que a influência dos media, que é a principal, mas não a única, causa de transtornos alimentares. Isto porque a media , impõem o estereótipo em que a magreza é um factor importantíssimo, senão indispensável, para o sucesso social e económico de uma pessoa, desde redes de televisão até filmes e revistas. Tal influência é bastante negativa em crianças e adolescentes, cuja personalidade está em formação, e casos de adolescentes anorécticas entre 11 e 14 anos existem com relativa frequência.
Tal pode acontecer quando os aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.
Pessoas que passaram por eventos traumáticos anteriormente, como rejeição familiar ou abuso físico e/ou sexual, também possuem um maior risco de serem anorécticas.
Pessoas em certas profissões, como atletas, bailarinos, dançarinos, ginastas ou modelos, podem motivar uma pessoa a decidir por diminuir seu peso, possivelmente resultando em um transtorno alimentar. O perfeccionismo também é um factor de risco.
Tratamento para a anorexia:
A anorexia nervosa, por ser uma doença com raízes psicológicas, é difícil de ser tratada e curada. Uma vez diagnosticada, o anoréctico passa por terapia individual, terapia em grupo e terapia familiar, em casos leves e moderados. Punições contra recaídas geralmente são pouco efectivas, uma vez que o objectivo do anoréctico é emagrecer a todo custo. A força de vontade do anoréctico em tratar-se é importante, mas como a negação do problema é frequente. Médicos, terapeutas e familiares precisam ser pacientes enquanto motivam e apoiam o anoréctico na sua recuperação. Paciência, diálogo e motivação são essenciais no tratamento contra a anorexia.
Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.
Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.
Deve proceder-se ao mesmo tempo a uma recuperação psicológica, trabalhando para o aumento do auto – estima, e valorização da imagem, prevenindo desta forma uma recaída. O tratamento psicológico será uma constante ao longo de toda a vida, visto estes doentes serem pessoas com perturbações psiquiátricas graves, e só assim se poder garantir o sucesso do tratamento.
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